quinta-feira, 5 de maio de 2016

âma(r)go

Perdi o bom senso, o humor, o ardor
Mas zelei o orgulho e a razão,
esvaziei o poço da solidão
Guardei seu amor e de ti descansei
E a mim protegi do caos que é amar o teu ser

Eu sei
Acertei
Errei
Ganhei
Perdi


Não me reconheci
Por engano me redimi
Sem saber o porquê

Corri
Fugi
Voltei
Sumi


E eu estou aqui nessa neutra posição
Em vão nesta indecisão
Nesse tormento incansável
Agoniante interrogação

Em que momento eu me vi em teu icógnito coração?






sábado, 30 de janeiro de 2016

Bebendo tequila, despindo verdades.

Dez e quarenta da manhã, visualizei a última mensagem, fechei os olhos a me questionar: por que alguns shots de tequila fazem isso com a gente? Por que eu não desliguei esse maldito celular? Não posso me orgulhar e nem me envergonhar por ter dito aquilo tudo. Meus três melhores amigos poderiam me apedrejar e com total razão, eu estava a rir de mim mesma, da minha própria fraqueza. E com toda certeza, eles iriam rir  antes de fazerem algum bem a humanidade: manter-me em profundo silêncio outra vez, e pelo meu próprio bem, se é que isso iria resolver alguma coisa numa hora dessas. Um tanto comum, isso já tinha acontecido, outros conhecidos me contaram sobre seus excessos. Isso me alivia. Eu não era a única a ser julgada por tal delito, carregaria outros culpados comigo. Sozinha, eu não iria me agonizar, era uma certeza. Eu abri os olhos para rever as horas, onze e cinco. Eu estava ali, na minha cama a refletir sobre os meus atos insanos da matina. Eu lembro de tudo, e isso era o que eu não queria. Na verdade, não foi insano, não tanto o quanto eu queria que fosse. E foi a primeira vez que eu não cheguei a dizer tudo, forças maiores me impediram, eu não tenho dúvidas disso, nem reclamo. É uma contradição. Tequila não é coisa que se deve beber quando se tem um assunto mal resolvido. Tequila é feita pra liberdade, uma liberdade sem algemas amorosas, coisa que eu não soube interpretar. Eu queria liberdade, bebi tequila, não escondi verdades, desabafei memórias, desejos, vulgaridade. Se faltavam letras naquele texto, sobraram inúmeras palavras por culpa do meu ego.
Tropeçar é cômico, eu tropecei em mim mesma, tão desastrada. Naquela noite, um desastre previsível, você me segurou antes que eu pudesse cair, você tropeçou também mas sem ter bebido nem um gole de tequila. A minha loucura não seria pertinente se não tivesse alguém para provocá-la. E você era bom nisso, ainda é bom nisso. Estrategista e manipulador, uma ruína para mentes frágeis. Eu fiquei a refletir sobre isso. Será que eu estava sã de minhas faculdades mentais? Eu havia justificado a minha loucura anteriormente, o que de fato ela surge quando as coisas estão muito calmas. Mas era um bom motivo pra eu me sentir louca, eu não sou do tipo que faz jogo, eu sou silenciosa. E uma mente silenciosa em dados momentos é algo assustador. Ela grita. O silêncio gritou.
Não quis me condenar, eu queria liberdade e de alguma forma, eu a tinha agora. Ficar engasgada com palavras é bem pior do que estar engasgado por não mastigar direito. É uma morte lenta caso não tenha alguém pra te salvar no momento. Eu tenho consciência. Mas e o bom senso? Não sei, eu sou impulsiva, nada metódica. E é por isso que nas sextas à noite, eu nunca estou em casa. 
E se a coragem não tivesse invadido, a recíproca não seria verdadeira. Um pingo de coragem a mais, eu não sei em que lugar desta cidade, eu iria estar com você. Graças ao celular descarregado, nenhum pecado maior foi cometido ou foi ter sido deixado de cometer.
Aquela pergunta fica para a próxima vez quando os shots de tequila sejam em um número maior. E se os nossos tropeços estiverem em sincronia na madrugada, repetiremos com sorte a mesma dose, beberemos mais um gole de nós dois.

Fisgagem

Nas noites das terças ou das quintas era sorte ou azar. 
Nós dois. 
Três horas ou quatro,
por que iríamos contar? 
O relógio era o nosso pior inimigo na ida 
o melhor quando apontava o momento da vinda.

O mar, 
a calma,
o silêncio, 
os sorrisos,
as avenidas, 
os becos,
a chuva. 

Seu calor,
meu amor. 
Meu fogo,
seu sufoco

Nossas almas, 
entrelaçadas.
Os arfares,
os sussurros, 
os jeitos,
os nossos momentos.

Um infinito dentro de pouco espaço,
no carro, 
no banheiro,
na cama,
no chão. 
Um rádio ligado, 
os risos, 
os abraços.

Uma hora de birra,
outra hora de amor.
Madrugadas de insonia. 
Manhãs de torpor.
Tarde de ansiedade, 
Noite de insanidade. 
Você é odeon
Eu sou néon.

sábado, 26 de setembro de 2015

Últimas palavras sobre um Adeus


Por tão pouco não abri a porta e coloquei sua mala com todas as suas lembranças fora. Em profunda adoração por desculpas tão vazias, encontrei em suas explicações inúmeras mentiras. Levando-se em conta esse sentimentalismo emaranhado de porquês, logo eu que nunca deixei que algo pudesse sair fora do controle, percebi-me em um labirinto assombroso de indecisões e ilusões. E nos rabiscos destes desabafos tão supridos de agonia, eu não nos vejo como antes, também nunca foi tão claro perceber-me ao seu lado. Esse futuro tão incerto para quem antes depositava no presente tantas certezas, era belo não pensarmos no amanhã. A minha falta de sorte é saber que total zelo será como todos os outros finais que por nenhum mérito sejam desmerecidos. É louvável agora cantarmos um hino sobre nossas derrotas nessa incansável luta pelo amor. Nós saltamos para o abismo da ilusão, perdidos, suplicando salvação. Nossas mãos tão firmes parecem se deslizar em constantes vacilos, o que era tão insistente parece desafiador demais.
Suas inúmeras partidas indecisas me fizeram perceber que eu não soube ver 1/3 dos alertas que o destino deixou tão visível. 

Não somos mais os mesmos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Uma paixão, a mais poética de Alice

Era diferente. De repente senti uma súbita agonia que confortava todo o meu corpo envolta do edredom. Ao ler aquelas palavras, sentia-me como se tivesse escrito cada uma delas, como quando meses atrás estava perdida, sem saber o que fazer quando o que eu sentia parecia confuso e estranho, como se eu não soubesse ver um pouco de lucidez sobre os meus atos que arriscavam a minha integridade. Eu me vi cantando aquele mesmo blues de quando nos encontramos, tão bonito e tão triste. E meu coração apertado estava abrindo a porta pra você sair, estava ali, aos prantos querendo apenas um abraço pra dizer que eu compreendi, porque no final das contas eu tive culpa por passarmos tanto tempo sem entender aquelas incógnitas que eu deixava em minha face a cada encontro. E quando começou a cair o temporal e o vidro da janela estava enxurrando de gotas na madrugada, eu ouvia aquela trilha sonora, minha favorita trilha sonora, a chuva. E doeu como qualquer despedida, mas era aquela despedida linda e tão poética de quem fala baixinho pra não magoar. Você é um amor bonito pra recordar e eu recomendo se acaso alguém não se importar com um final como o nosso. Nós começamos apressados e numa paixão progressiva, não era como todas as outras paixões, era um resgate, desejo antigo. Mas a distância nos deixou perdidos, em algum momento a balança pesaria muito mais para um lado. O quão amável possamos ser? Foi assim que eu me vi, amando a mim mesma quando gostava de você. Tão sinceros e cuidadosos, escolhendo cada palavra pra não machucar o outro, talvez se todos tivessem a oportunidade de nos vermos, veriam como era belo ler um final ou ouvir um. Nós tivemos sorte. Nossa saudade é uma saudade de volta, de volta pra algo que se perde em cada desejo do presente. Você é um amor daqueles dignos de respeito, daqueles que a gente defende mesmo depois do fim. 




Foi tão lindo.