terça-feira, 2 de abril de 2013

A melhor amiga dos Dois

Alba é uma grande amiga, aliás ela foi muito mais do que uma amiga, foi uma cúmplice, um cúpido, uma confidente, um divã dos dois. Guarda cada detalhe do romance que Mariah e Antony tiveram, e é por isso que diante deles, ela não sabe esconder a inquietude de uma conversa, uma conversa difícil por sinal.
Por consecutivas vezes, via que além do fim poderia surgir um laço de amizade, mesmo com todos os erros e deslizes que os dois ali tiveram diante do relacionamento, o qual  era tão fácil de viver, por meses atrás.

Alba era o refúgio para Mariah, atentamente ouvia e a aconselhava , havia uma grande dúvida de longe :  mãe e filha ou apenas amigas ? Era algo que não importava quando juntas estavam, parecia tudo mais fácil, nas conversas diárias surgiam sorrisos e uma seriedade tamanha, tão visível, enquanto a confiança reinava em cada uma delas. Alba orgulhava-se de Mariah, ao seu ver, ela era uma garota bem integra, de sorriso inocente, com jeito de menina e perfil de mulher, era frágil mas sabia onde deveria por limites, só precisava de seus olhos, pra enxergar o que faz bem e o que machucava sem incertezas.

Anthony era um cara de sorrisos, raro seria vê-lo triste, sua vida era bem mais fácil de viver, sem preocupações, tinha uma boa conduta, só não era alguém tão admirável, sem muitas qualidades. Mas era feliz e espalhava isso por onde passava. Alba em sua vida, significava conselhos decisivos, a melhor amiga, alguém que sem sombra de dúvidas, não teria a compreensão de suas atitudes e muito menos o esforço de de repreendê-lo quando errado, ela dava auxílio nas coisas que deveria aceitar.

Quando Mariah e Anthony iniciaram o relacionamento, Alba assistia de camarote a felicidade dos dois, sentia-se muito feliz por eles, ainda não havia problemas tão complicados para ajudá-los a resolver, pois estavam em um mar de rosas,  permitia-se estar ali com eles, na condição de não ser instantaneamente um castiçal, pois não era algo que gostava de ser, era amiga, confidente dos dois, mas não um castiçal.
  
Depois de alguns meses tão coloridos e florais, eis que surgem os problemas complexos, dos quais Alba tinha a nitidez que haveriam de surgir, só achava que eles dariam conta de resolvê-los sem recorrer à ela. Um engano total, pois se envolveu entre eles como uma conselheira conjugal sem saber, percebendo as aflições que sentiam, cada um, particularmente ia ao seu encontro, ela os abraçava e os confortava sem negar. Alba se sentia às vezes uma rocha para cada um, mas às vezes achava que não tinha caminhos para sair de alguns assuntos complicados. Afinal, ela era amiga dos dois, confidentes dos dois, o marco inicial dos dois. Como guardar tantos segredos dos dois entre eles mesmos ?
Foi uma agonia à ela dizer as coisas certas sem machucar nenhum, trazer a realidade sem que houvesse a sombra da incerteza que ambos tinham. Alba era justa e firme, e é por isso que os dois confiavam nela, mesmo que nenhum dos dois soubessem o quanto ela guardava de cada um, e o quanto fosse a solução das incertezas daqueles dois.

Só Alba entende a agonia dos dois quando houve a separação, os dois se amavam incondicionalmente, o sentimento era algo visto de longe, mesmo que algumas atitudes fossem vistas de modo cruel quando tentam se evitar. Ao seu ver é estranho perceber isto, relembrando o quanto eles dois eram felizes, mesmo sabendo de cada justificativa particular para o fim existir. Alba se convence de que ainda há amor entre eles dois, pois em sua concepção o amor quando existe, não vai embora, esconde-se. E o propósito de uni-los é por conta da amizade, onde tudo iniciou, ela sente saudades do quanto eram felizes os três, mesmo que  não seja mais o preferido castiçal, só queria ver aqueles belos sorrisos de novo, em um mesmo espaço, com diálogos em comum no dia, na noite, na madruga, em que lugar for, como antes. Mas ela sabe que Maryah tem suas razões e acha justo que se sinta assim, que se age assim, mas também acha que Antony deve lutar, lutar pra conquistar a felicidade de antes, e que ele seja feliz e que ela também seja, mesmo não juntos.
Mesmo sendo apenas amigos, é o seu maior desejo.

domingo, 31 de março de 2013

Exagero


Exagero é dizer que sinto muito, sem sentir nada.
Exagero é achar que estou escondendo dor, se meu sorriso é tão colorido
Exagero é me levar pra algum lugar, mesmo sabendo que eu não quero ir.
Exagero é ouvir meu nome, mesmo que tudo permaneça em silêncio.
Exagero é sentir que me ama, errando todo o tempo.
Exagero é querer mais do que tem.
Exagero é insistir em alguém que não convém na tua vida existir.



quarta-feira, 13 de março de 2013


Percebes que o sorriso se vai bem fácil quando o silêncio volta ? 
O silêncio antes os deixavam tão tímidos e tão risonhos, agora eles torturam e os põe um medo imensurável. É estranho quando notam isso, mais estranho ainda é saber que todos ao redor também notam. 
- Que agonia, que dor, que desespero, que amor, que arrependimento, que confusão ...
- Por que lutar, relutar contra a vontade ?
Por que não se faz nada quando é pra fazer ?
Que palavras ditas de desculpas que não caem ao se render,
que sorrisos são esses que só transmitem mentiras ?
Quem é feliz escondendo querer ? 
É  um amor difícil e eles notam isso, é um desejo contra inocência, é a fase mais complexa do fim.

sábado, 9 de março de 2013

8 de março

Já faz dez minutos que você pegou aquele ônibus, pela primeira vez você saiu antes que eu fosse ..
No seguinte minuto eu tento ignorar alguém que usa mil e uma artimanhas pra arrancar o número do meu telefone, no dia errado, na hora errada, com a pessoa errada. Sinto vontade de xingá-lo pois não é destino estar naquela parada com ele, não é algo do acaso, não é uma boa hora pra sorrir e de fazer uma loucura. 

Eu só quero ir pra casa, ficar embaixo do chuveiro por alguns minutos, retirar este peso e ser consolado pelo meu travesseiro. 

Mas nenhum ônibus que passe perto do meu endereço chega, o que me resta é pelo menos tentar ser educada com um cara que não entende o porquê de estar ali até aquela hora, sozinha. Enfim, ele desistiu de ter uma conversa e se foi, não quis ser tão atenciosa, era um estranho. Agradeço ao céus por ter ido, agora aqui estou em um banco vazio, com medo e com raiva. Enquanto a minha própria voz ecoa na minha mente, estas palavras que fizeram você ir, o motivo pra você ir sem olhar pra trás.

- Você não é obrigado a ficar aqui, não é obrigado a segurar as minhas coisas, não é obrigado esperar enquanto eu entro em um ônibus. Aliás, você nunca foi obrigado a fazer isso.

E você se foi, porque minutos antes o clima  estava bem pior, porque ninguém sabia dizer nada, ninguém sabia dizer '' não dá mais '', ninguém queria dizer que aquela estória tão linda terminou assim, com inquietação, com silêncio. Foi a pior conversa, foi uma conversa ? Só tinha frases engasgadas  palavras monossilábicas, curtas, frias. Não lembro quando agimos assim algum dia,  não aconteceu nada parecido antes. Era nossos corpos com outras pessoas habitando dentro deles naquele momento. Não vi lágrimas em mim, quando me dei conta  estava dentro do meu quarto, trocando as minhas roupas, quase matando de susto a minha mãe, por ter contado uma mentira pra convencer a minha demora, por conta dessa noite. Todos se preocuparam comigo achando que minha mentira era real, eu menti e  me sinto culpada por isso, mas não me sinto culpada por você, não é assim que se explica tudo. 

- O que aconteceu com a gente ?
- Não sou eu que devo responder, aliás eu deveria fazer esta pergunta . Por que me sentiria  culpada ? Eu não tenho culpa, estou fazendo isso pra limpar meu nome, pra você entender que o que sinto não é o suficiente pra aceitar tudo isso. Porque esquecer tudo isso agora e fingir que nada aconteceu, é pedir demais, não sou tão boa assim, não quando se trata de uma estória como esta. Quando alguém que diz te amar e lembrar que fez algo errado mesmo que já tenha sido perdoado, fique com sua insegurança. Eu fui naquele ônibus.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Inquietante.





E longos foram os meses que eu me afastei, é verdade ...
Nós sabemos disso como ninguém. Eu não precisaria de nenhum motivo pra justificar tanta distância, mas tudo o que você quer é um. Enquanto '' amigos '' parece não convencer tanto, de alguma maneira eu tentei fazer isso soar firmemente. Acredito que tudo sopra ao favor quando a maresia se acalma depois de uma tempestade devastadora, sinto-me leve, a sensação é que você pode flutuar. Sim, e eu me sinto assim, acredite. 
Ontem arrumando alguns livros da estante, encontrei no meio deles, uma carta que eu escrevi, e era aquela que iria entregar se tivesse coragem na época, enfim, eu li só pra lembrar o que havia escrito, acho que sabemos muito bem o que tinha nela, eu não precisei entregar porque naquela época, tudo era tão nítido, tanto que não precisava dizer nada, só olhar fixamente nos meus olhos era possível entender. 
Eu até sorri, era um sorriso bobo que soava: oh céus, como era tão boba. Coloquei de volta no mesmo lugar, pensei : vou deixar aqui,  pode servir pra contar alguma estória mais tarde, se acaso eu lembrar dela. E não é que lembrei ? Você disse que eu havia mudado, mas não entende o motivo que citei, é preciso mudar,  é necessário renovar-se. E agora que escrevo menos e vivo mais, parece que deixei um pouco da inquietação em sua mente.
- É tão bom respirar aliviada e me sentir firme em algum conto, ver cores e sorrisos nesse novo capítulo, e ver que a chuva lá fora não incomoda, não trás saudade, e  principalmente não me leva para onde você quer que eu vá, é seguro agora. Isso soa melhor agora ?